quinta-feira, 10 de março de 2011

Conversas aleatórias

Digamos que eu esteja inspirada hoje e esteja afim de falar de amor! Ou algo do tipo.

Um dia qualquer, eu, quieta e parada olhando pro nada comecei a me perguntar... qual a diferença entre o amor e o sentimento de posse?

Leia-se: possessão no sentido do apego às coisas ou pessoas. Vejamos. Alguém que é totalmente apegado às suas coisas, que não consegue se desfazer delas, sofre de algum tipo de distúrbio... não sei dizer ao certo qual, mas sofre.

Eu assisti um caso desses um dia na televisão, num desses documentários inacreditáveis. Uma senhora tinha uma casa que era repleta de entulhos, um monte de coisas inúteis, a casa era cheia de poeira, tranqueiras, coisas velhas, enfim. No dia da limpeza ela chorava muito por tudo que estava sendo jogado fora. Sapatilhas que ela guardava desde a adolescência, estava tudo "guardado", ou melhor dizendo, "abandonado" dentro daquela casa. Ela andava por entre a sujeira, em meio ao caos que a própria casa vivia. Só pra constar, a mulher morava na casa. Dá pra entender? Além de andar em meio a sujeira, ela ia ao banheiro, cozinhava ali, vivia ali. Não dá pra imaginar. Era tranqueira e sujeira pra todo lado, a casa era grande, mas ela não chamava ninguém pra ajudar na limpeza. Resultado: já que ninguém se importava nem com ela, nem com seu bem estar e muito menos com a casa, ela foi ficando largada, jogada às traças e desenvolveu uma doença grave, que foi observada por sua filha ao longo de algumas visitas.

Quando ela viu o estado da sua mãe ali, ao léu, pensou seriamente que ela estava morta. Sua mãe lá dormindo e ela parada, estática. Acordou-a, ela estava aparentemente bem em sua cama, mas precisava de cuidados. Levou-a ao médico, diagnosticaram a doença que por ora eu não sei dizer qual é, mas deve ser tipo 'distúrbio do apego' ou sei lá. Quando voltaram pra dar uma geral na casa, a dificuldade que essa senhora tinha para se livrar dos seus 'bens' materiais era tanta que a cada tranqueirazinha que era jogada fora era um tormento. A mulher chorava, gritava. Parecia que estavam batendo nela, sentia muitas dores. Não sei que tipo de dor é essa, mas eu posso imaginar. Às vezes eu me imagino olhando para o passado, como um flashback e penso: em quais dos caminhos se perderam a maioria das minhas coisas?

Provavelmente eu quebrei a maioria delas ou perdi, desastrada e desligada do jeito que sou. Mas se eu fosse um pouco mais cuidadosa com o que é meu, talvez teria tudo o que eu tenho hoje? Aí é que está. Em que medida você tem cuidado consigo mesmo e com o que é seu? Aonde estão aqueles CDS do seu artista favorito, pode ser aí de Gerasamba à BackstreetBoys. Onde está aquele Videocassete velho que você assistia filmes de James Cameron, A família Buscapé ou o Brinquedo Assassino? Muitas das suas coisas ou pessoas se perderam em meio à estrada. Tudo isso nos remete à alguns momentos, e nada mais do que isso. A dança da vida é essa, é esse o movimento, nada é pra sempre e momentos são únicos, guarde na mente e no coração tudo o que lhe importa. O resto, jogue fora. Não acumule tralhas que te impedem de crescer. Ás vezes esse ritmo é lento, por vezes acelerado. O que há de ser feito é saber dançar conforme a música, e não se deixar abalar. Perdas e ganhos virão, altos e baixos também. Sonhos frustrados, planos pela metade. Saiba planejar suas metas, trilhá-las e construir dia após dia um futuro. Por que não importa quanto você se importe com suas particularidades do passado, o mundo está em constante renovação, e não vai parar só porque você está atrasado.

Á medida que vamos crescendo, vamos trocando de 'pele'. Na escola, usamos uniformes, 'faziamos' aula de piano, violão, teclado, futebol, natação, ballet, axé. Tinhamos fãs clubes. Ou pouco o que fazer. Qual dessas coisas afinal de tudo isso, você usa/faz hoje em dia? Em meio à coisas velhas, medalhas, troféus dos campeonatos regionais, uniformes de times, aquelas camisetas dizendo 'Iron Maiden', aquela modinha de música eletrônica dos clubbers, dos grunges, dos metaleiros, dos punks, em qual desses grupos você se encaixava? Algum desses estilos tem influência na sua vida hoje em dia? Acredito que aquele cabelo de corte channel que você achava o máximo, hoje não tem mais a sua cara. Aquele piercing na orelha, na transversal, você usaria, hoje, com 25 anos de idade? De quantas tatuagens você se arrependeu de fazer? Arrependimento não mata, mas pode ser um grande instrumento de comparação. Naquela idade era emocionante, hoje, já não tem mais aquela empolgação. o tempo passa, as coisas mudam e promessa de amizade eterna também muda. Quantos dos seus amigos de infância você mantém contato até hoje? O tempo e as pessoas/caminhos novos (as) te afastam uns dos outros. Se não houver uma ferramenta importante chamada SENTIMENTO envolvido, relacionamentos, sejam eles quais forem, se perdem. E é bem por aí. Tudo isso se chama movimento, e cabe a cada um saber seguir.

Pegue o passado, queime-o e deixe-o ir.

That's all folks.

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